sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Cabalas, Campanhas Negras e Bruxaria

Sócrates veio ontem mais uma vez sublinhar a sua inocência e insistir na tese da “campanha negra”. É normal que o faça e não lhe resta grande alternativa senão fazê-lo (apesar de ser lamentável o lançamento deste tipo de suspeitas). Mas fará algum sentido esta tese?

Quem são os autores da “campanha negra”? A comunicação social, os tribunais portugueses, as autoridades inglesas e os opositores políticos de Sócrates? É isso? Todos em conjunto e de forma mafiosa a tentar sujar o bom nome do primeiro-ministro? Julgo que nem vale a pena responder.
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O caso Freeport está a transformar-se numa tremenda hemorragia política, não porque exista qualquer cabala mafiosa, mas sim porque em democracia os processos que envolvem responsáveis políticos têm naturalmente consequências políticas e tendem a gerar efeitos “bola de neve”. A comunicação social interessa-se por estes temas (como é normal), a oposição dificilmente deixará de beneficiar com eles (como é normal) e até outros meios disponíveis no espaço público alimentam-se e são alimentados por estes temas (a blogosfera, por exemplo).

É normal que tal suceda em democracia, onde existe liberdade de expressão, onde a comunicação social é livre, onde o conflito político é livre e onde os responsáveis políticos não estão acima da lei.
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Mas serão estes efeitos “bola-de-neve” indesejáveis em democracia? Sim e não. Sim porque, como disse, não se pode abdicar (e ainda bem que assim é) da liberdade de expressão, de imprensa ou da igualdade de todos perante a lei. E não porque um responsável político ultra-inocente pode ser apanhado no meio do efeito “bola de neve”, com todas as consequências políticas que tal acarretará.
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Em suma, apesar de muito pouco desejável, é normal que Sócrates aponte cabalas e "campanhas negras" contra o seu bom-nome. E, como é óbvio, cada um é livre de acreditar em bruxas. Pessoalmente, acho um bocadinho mais racional acreditar-se em efeitos “bola de neve” indesejáveis alimentados pela agenda política e mediática. São uma chatice, provocam o caos, devem naturalmente ser combatidos com os mecanismos do Estado de Direito, mas só são possíveis porque a democracia existe.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Santana tinha gafes, Sócrates tem gates

Como se não bastasse a hemorragia do Freeportgate, eis que o Público volta à carga com a questão dos badalados projectos de casas aprovados por Sócrates na Guarda. O relatório da Câmara não esclarece minimamente as suspeitas levantadas há um ano.

São tempos deveras sombrios para o primeiro-ministro. Os “gates” sucedem-se e até ressuscitam. A aura de desconfiança em torno da sua pessoa está mais do que instalada. E gerou-se um efeito bola de neve incontrolável até ao momento.

A popularidade política nos nossos dias funciona como um título numa bolsa de valores: se os mercados andam nervosos, nomeadamente devido a rumores lá para os lados da Justiça, não tenhamos dúvidas que os crashes políticos podem acontecer.

Sócrates é suspeito e “mai nada”

As manchetes da Visão e da Sábado representam uma evolução vertiginosa no caso Freeport. Para a maioria da opinião pública portuguesa, Sócrates passa a ser suspeito. Pode não existir grande volta a dar.
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As autoridades inglesas querem verificar as contas de José Sócrates e ponto final. Não será necessário saber-se se o referido pedido é legítimo ou não. Se faz sentido ou não. Se tal implica que Sócrates é formalmente arguido ou não. Estas são questões de pormenor no presente.
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Com o referido pedido, as autoridades inglesas acabaram por formalizar algo que até agora vinha sendo tratado com grande cautela mesmo na comunicação social portuguesa. Os dados estão lançados para que Sócrates, a sua equipa e o próprio PS tenham mais do que razões para se preocuparem com o futuro.

Correu mal, mas podia ter corrido bem...

O relatório da OCDE que afinal era um relatório encomendado a especialistas internacionais que prosseguiram a metodologia da OCDE deu ontem que falar no parlamento. Até o website do PS acabou a corrigir silenciosamente o que antes noticiava
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Estas pequenas nuances na comunicação política são frequentes, sem dúvida. A única diferença é que esta foi descoberta e mediatizada. São pequenos deslizes que saem caro… Lá fica este governo novamente rotulado de “vendedor de carros usados”. É uma chatice...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A Crise para lá dos Holofotes

No seguimento do que muitos outros comentadores têm vindo a dizer, o editorial de hoje de José Manuel Fernandes sublinha bem o que se pode esperar da crise económica em vigor. Os Governos podem tentar salvar as Qimondas e outros gigantes, mas é nas micro e nas pequenas empresas que o fenómeno do desemprego terá os seus grandes efeitos.

Nas micro e pequenas empresas que, aos poucos, poderão ter de dispensar um ou dois dos seus trabalhadores. Desde o café da esquina à pequena loja de ferragens, passando pela pequeno empreiteiro e pelo pequena loja do centro comercial. Tendo em conta que o grosso do tecido empresarial português assenta em micro e pequenas empresas, podemos desde logo ter uma dimensão deste fenómeno.
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O grosso do desemprego surgirá daí e, nestes casos, não poderão existir mega operações de salvamento governamentais. Apenas políticas macroeconómicas de emergência poderão ajudar a atenuar este fenómeno. E, como é evidente, nestas políticas não se enquadram quaisquer grandes obras públicas…

Go go Broc Obama!

Depois de vários anos em que os EUA lideraram o grupo de opositores ao combate às alterações climáticas, Obama anunciou ontem os seus propósitos de redução da dependência do petróleo.
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Podemos naturalmente discutir o real impacto das medidas anunciadas. Mas, mais do que isso, importa constatar a reviravolta de 180 graus em termos simbólicos que o anúncio de ontem representou. Finalmente a “verdade inconveniente” poderá começar a ser assumida pelos EUA. Go go Broc Obama! ;)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Cavaco no Twitter, You Tube, Sapo Videos e Flickr

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Depois de ter aderido ao Twitter na semana passada, a Presidência da República aderiu agora também ao Youtube, ao Sapos Videos e ao Flickr. Uma demonstração de lucidez estratégica perante os recentes desenvolvimentos nos domínios da comunicação política.
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Cavaco Silva e o seu staff parecem ter acolhido bem os ensinamentos de Obama nestes domínios. Apenas é de estranhar que continuem a ser tantos os actores políticos em Portugal (governo, partidos, deputados, ONGs, etc) que ainda não se aperceberam bem da importância destas novas ferramentas na disseminação da sua influência política.

As luvas são um mero pormenor

O caso Freeport está a aquecer e a fragilizar politicamente Sócrates. Independentemente de terem ou não existido luvas, a forma como todo o procedimento de aprovação do empreendimento se desenvolveu constitui por si só um factor muito crítico para o actual primeiro-ministro

Uma celeridade nunca vista apenas justificada pelo calendário eleitoral; alterações à Zona Protegida do Estuário do Tejo feitas em cima do joelho; possível abuso de competências por parte de um governo em gestão; não-auscultação de câmaras municipais e associações ambientalistas, entre muitas outras coisas que vão surgindo na imprensa todos os dias e que atacam fortemente a verticalidade de um governante.
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No momento presente, em termos políticos, não está em causa saber-se se Sócrates recebeu luvas ou se sabia ou não da sua existência. Está em causa a forma como respeitou ou não procedimentos fundamentais enquanto Ministro do Ambiente. Está em causa a sua ética e verticalidade enquanto governante. Assim sendo, o cenário não se apresenta nada animador para o actual primeiro-ministro.

domingo, 25 de janeiro de 2009

O problema dos opositores internos de Portas

Leio no Expresso que Nobre Guedes promete concorrer contra Portas após as legislativas (p. 8). Trata-se, no fundo, de mais uma manifestação da vaga de opositores a Portas que se tem vindo a manifestar nos últimos tempos. Mas de que se queixam eles?

Da excessiva personalização do poder em torno de Portas? Da falta de discussão interna? Da deriva ideológica no seio do partido? São argumentos legitimos e certamente verdadeiros. Mas que esbarram na estratégia muito bem delineada que o líder está a prosseguir.

Como confirma o Expresso, a actual direcção do CDS vê com bons olhos um papel de sustentação de um governo maioritário socialista após as próximas eleições. É um cenário muitissimo provável e que, independentemente de ser encarado como uma incongruência ideológica, garantirá aos populares a passagem de muitos diplomas no Parlamento.

Por outro lado, a forte possibilidade do CDS concorrer coligado com Santana a Lisboa aliviará o partido de um resultado tão degradante como o que sucedeu nestas últimas intercalares. Quem sabe até se uma coligação com Santana não sairá vitoriosa?

É natural que alguns membros do CDS não estejam dispostos à ginástica vertebral que as lideranças de Portas já demonstraram ser exímias. Mas, no cenário actual, que outra estratégia se adequaria melhor ao partido? Os opositores internos bem podem protestar mas a maioria do partido sabe que estes são tempos de estratégia e pragmatismo para o CDS. As convicções e as coerências terão de aguardar na gaveta.

Estamo-nos a esticar, não?

Mário Lino afirmou hoje que as suspeitas em torno de Sócrates no caso Freeport têm fins políticos e que as fugas de informação visam atingir o primeiro-ministro.

O rearranque do processo Freeport nesta altura, após ter estado adormecido durante anos, não deixa de levantar grandes dúvidas, é certo. Mas um ministro ou um primeiro-ministro virem lançar suspeitas sobre os contornos políticos de um processo judicial é grave, é muito grave.

Ficámos assim com um ministro e um primeiro-ministro a acusar a justiça portuguesa de ceder a interesses políticos, algo que, a ser comprovado, seria intolerável em democracia. Este tipo de acusações não são novas. Já no caso da Casa Pia, diversos dirigentes socialistas sustentaram repetidamente os contornos políticos que o processo assumiu.

Independentemente de serem suspeitas legitimas ou não, os altos esponsáveis políticos deveriam pensar quinze vezes antes proferir este tipo afirmações. E, caso sintam que têm de facto razão, deveriam levar as suas suspeitas até às últimas consequências, levantando processos em tribunal para o efeito. Caso contrário, apenas estão a alimentar de forma irresponsável e totalmente terceiro-mundista a má fama que paira sobre a justiça portuguesa.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

E porque hoje é sexta-feira...

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...nada como um grande clássíco.

Sócrates e o Caso Freeport

O caso explodiu ontem e promete ser quente, sobretudo a sua proximidade com o actual primeiro-ministro. Sócrates era então Ministro do Ambiente e tal é mais do que suficiente para o envolver.
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O primeiro-ministro mostrou-se ontem despreocupado, pedindo celeridade na investigação. Não se coibiu também de levantar algumas suspeitas ao afirmar que “o caso Freeport surgiu na campanha eleitoral de 2005 e volta agora, em 2009, quando vamos disputar novamente eleições”.
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Sócrates tem razão uma vez que as buscas agora realizadas não tiveram origem num pedido da polícia inglesa (contrariamente ao que ontem noticiou o Público), resultando sim da evolução do processo de investigação em Portugal. Mas não deixa de ser grave que um primeiro-ministro, mesmo que em jeito de desabafo, levante publicamente suspeitas sobre a politização de um processo judicial. Este caso Freeport muita tinta fará correr nos próximos tempos...

A conversa do “não é prioritário”

Mário Soares considerou ontem que a questão do casamento homossexual é uma temática da esquerda radical, acrescentando que não é um assunto prioritário/fundamental. No princípio desta semana, o porta-voz da conferência episcopal também utilizou o mesmo argumento. E não será necessário ser astrólogo para prever que o centro-direita recorrerá fortemente a este tipo de conversa.

Mas não é prioritário/fundamental porquê? Porque a crise económica e os seus efeitos são assuntos mais urgentes, é isso? Julgo que nem será necessário contrapor que as questões de direitos nomeadamente de igualdade, são sempre prioritárias/fundamentais. Ou não?
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Admito naturalmente que o argumento do não ser prioritário se aplique a questões que exijam esforço económico. Não é o caso. Admito também que possa ser aplicado a questões que exijam excessiva adaptação administrativa por parte do Estado. Também não parece ser o caso. Então ficamos em quê? No excessivo espaço que este tema poderá ocupar na agenda política, é isso?
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Até parece que a discussão de um assunto como este, do foro dos direitos e que só virá de facto para a agenda na próxima legislatura, desconcentrará os grandes decisores políticos na gestão das matérias económicas ou outras de foro social. Em última análise, Soares devia perguntar a Zapatero se foi a resolução célere que aplicou a esta questão que lhe tem inibido de tratar de outros problemas económicos e sociais.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Lino e Pino, Pino e Lino

Segundo noticia hoje o Público, um deputado socialista acusa Mário Lino de manifesta negligência na compra da frota Airbus para a TAP. Pede ainda que dossiers como o TGV ou o novo Aeroporto, passem directamente para a tutela de Sócrates, dado o mau trabalho feito pelo Ministro das Obras Públicas.

“Houve manifesta negligência”; “A partir de certo ponto, a repetição da negligência em detrimento do interesse do país poderá ter outra explicação”; “Tem que haver outras causas para essa negligência, para além da inexperiência. Há no mínimo falta de vontade política e é preciso saber se esta aproveita a alguém”; “Portugal tem de assumir ao mais alto nível a liderança do processo, não o pode deixar em mãos de governantes que já mostraram a sua incapacidade”.
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Apesar de ligeiramente atenuadas, são afirmações gravissimas vindas de um deputado socialista. São afirmações que se dirigem a Mário Lino, mas também a Manuel Pinho por nunca se ter envolvido no processo de compra dos aviões para a TAP. E assim, de um momento para o outro, os ministros mais conhecidos de todos os portugueses voltam para a ribalta. Vale a pena recordar o sketch que os Gato Fedorento lhes dedicaram…
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

As primeiras 100 horas

Inicialmente prometeu-se que os primeiros 100 dias de Obama seriam alucinantes. Mas a sua administração quis fazer algo ainda mais simbólico: as primeiras 100 horas não passariam despercebidas.

E assim parece estar a acontecer. Obama já pediu a suspensão dos processos judiciais em Guantanamo. Um grande passo, sem dúvida, que enverga uma simbolismo ainda maior.
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Foi mais do que badalada a importância que a campanha de Obama atribuiu aos novos média, caracterizados precisamente pelo imediatismo e onde o simbolismo é um trunfo. Não só em termos políticos, mas também em termos comunicacionais vai ser muito interessante acompanhar esta administração Obama.

Twittermania

O Activismo de Sofá aderiu há pouco mais de uma semana ao Twitter (www.twitter.com/activismodesofa). Nestes poucos dias já deu para perceber bem a dimensão e frenesim constante do universo do microblogging.

Ontem, no dia em que até a Presidência da República passou a ter um espaço no twitter, foi impressionante acompanhar a tomada de posse de Obama no “twitterespaço”. Desde os “última hora” da imprensa internacional e nacional, às mais diversas impressões minuto a minuto de muitos twitternautas portugueses.

As contas portuguesas noTwitter parecem estar a aumentar significativamente neste primeiro mês do ano. Para os interessados neste fenómeno virtual, recomendo este post do Paulo Querido. Para aqueles que estão mais do que interessados, nada como criar a sua conta aqui (não demora mais do que 5 minutos, garanto). Just do it. Mas cuidado que pode ser viciante...

Obama terá de, no mínimo, salvar o mundo


A frase acima não é minha. É de Miguel Gaspar, cronista do Público. Julgo que reflecte bem as expectativas que sobre Obama recaem.

Como é natural, os mais cépticos olham com regozijo para o fenómeno Obama: mais cedo ou mais tarde o Barak Hussein começará a desiludir, não é? Sem dúvida. Mas enquadro-me mais naquele grupo que considera que a esperança em torno deste presidente americano já é algo muitissimo significativo. Já vale por si. Já ficará na história. Quanto ao que se segue, vamos com calma. Um dia de cada vez.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O Discurso de Obama (Versão integral em Video e Texto)

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Parte 1

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Parte 2

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"My fellow citizens:
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I stand here today humbled by the task before us, grateful for the trust you have bestowed, mindful of the sacrifices borne by our ancestors. I thank President Bush for his service to our nation, as well as the generosity and cooperation he has shown throughout this transition.
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Forty-four Americans have now taken the presidential oath. The words have been spoken during rising tides of prosperity and the still waters of peace. Yet, every so often the oath is taken amidst gathering clouds and raging storms. At these moments, America has carried on not simply because of the skill or vision of those in high office, but because We the People have remained faithful to the ideals of our forbearers, and true to our founding documents.
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So it has been. So it must be with this generation of Americans.
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That we are in the midst of crisis is now well understood. Our nation is at war, against a far-reaching network of violence and hatred. Our economy is badly weakened, a consequence of greed and irresponsibility on the part of some, but also our collective failure to make hard choices and prepare the nation for a new age. Homes have been lost; jobs shed; businesses shuttered. Our health care is too costly; our schools fail too many; and each day brings further evidence that the ways we use energy strengthen our adversaries and threaten our planet.
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These are the indicators of crisis, subject to data and statistics. Less measurable but no less profound is a sapping of confidence across our land - a nagging fear that America's decline is inevitable, and that the next generation must lower its sights.
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Today I say to you that the challenges we face are real. They are serious and they are many. They will not be met easily or in a short span of time. But know this, America - they will be met.
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On this day, we gather because we have chosen hope over fear, unity of purpose over conflict and discord.
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On this day, we come to proclaim an end to the petty grievances and false promises, the recriminations and worn out dogmas, that for far too long have strangled our politics.
We remain a young nation, but in the words of Scripture, the time has come to set aside childish things. The time has come to reaffirm our enduring spirit; to choose our better history; to carry forward that precious gift, that noble idea, passed on from generation to generation: the God-given promise that all are equal, all are free, and all deserve a chance to pursue their full measure of happiness.
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In reaffirming the greatness of our nation, we understand that greatness is never a given. It must be earned. Our journey has never been one of short-cuts or settling for less. It has not been the path for the faint-hearted - for those who prefer leisure over work, or seek only the pleasures of riches and fame. Rather, it has been the risk-takers, the doers, the makers of things - some celebrated but more often men and women obscure in their labor, who have carried us up the long, rugged path toward prosperity and freedom.
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For us, they packed up their few worldly possessions and traveled across oceans in search of a new life.
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For us, they toiled in sweatshops and settled the West; endured the lash of the whip and plowed the hard earth.
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For us, they fought and died, in places like Concord and Gettysburg; Normandy and Khe Sahn.
Time and again these men and women struggled and sacrificed and worked till their hands were raw so that we might live a better life. They saw America as bigger than the sum of our individual ambitions; greater than all the differences of birth or wealth or faction.
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This is the journey we continue today. We remain the most prosperous, powerful nation on Earth. Our workers are no less productive than when this crisis began. Our minds are no less inventive, our goods and services no less needed than they were last week or last month or last year. Our capacity remains undiminished. But our time of standing pat, of protecting narrow interests and putting off unpleasant decisions - that time has surely passed. Starting today, we must pick ourselves up, dust ourselves off, and begin again the work of remaking America.
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For everywhere we look, there is work to be done. The state of the economy calls for action, bold and swift, and we will act - not only to create new jobs, but to lay a new foundation for growth. We will build the roads and bridges, the electric grids and digital lines that feed our commerce and bind us together. We will restore science to its rightful place, and wield technology's wonders to raise health care's quality and lower its cost. We will harness the sun and the winds and the soil to fuel our cars and run our factories. And we will transform our schools and colleges and universities to meet the demands of a new age. All this we can do. And all this we will do.
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Now, there are some who question the scale of our ambitions - who suggest that our system cannot tolerate too many big plans.
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Their memories are short. For they have forgotten what this country has already done; what free men and women can achieve when imagination is joined to common purpose, and necessity to courage.
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What the cynics fail to understand is that the ground has shifted beneath them - that the stale political arguments that have consumed us for so long no longer apply. The question we ask today is not whether our government is too big or too small, but whether it works - whether it helps families find jobs at a decent wage, care they can afford, a retirement that is dignified. Where the answer is yes, we intend to move forward. Where the answer is no, programs will end. And those of us who manage the public's dollars will be held to account - to spend wisely, reform bad habits, and do our business in the light of day - because only then can we restore the vital trust between a people and their government.
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Nor is the question before us whether the market is a force for good or ill. Its power to generate wealth and expand freedom is unmatched, but this crisis has reminded us that without a watchful eye, the market can spin out of control - and that a nation cannot prosper long when it favors only the prosperous. The success of our economy has always depended not just on the size of our Gross Domestic Product, but on the reach of our prosperity; on our ability to extend opportunity to every willing heart - not out of charity, but because it is the surest route to our common good.
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As for our common defense, we reject as false the choice between our safety and our ideals. Our Founding Fathers, faced with perils we can scarcely imagine, drafted a charter to assure the rule of law and the rights of man, a charter expanded by the blood of generations. Those ideals still light the world, and we will not give them up for expedience's sake. And so to all other peoples and governments who are watching today, from the grandest capitals to the small village where my father was born: know that America is a friend of each nation and every man, woman, and child who seeks a future of peace and dignity, and that we are ready to lead once more.
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Recall that earlier generations faced down fascism and communism not just with missiles and tanks, but with sturdy alliances and enduring convictions. They understood that our power alone cannot protect us, nor does it entitle us to do as we please. Instead, they knew that our power grows through its prudent use; our security emanates from the justness of our cause, the force of our example, the tempering qualities of humility and restraint.
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We are the keepers of this legacy. Guided by these principles once more, we can meet those new threats that demand even greater effort - even greater cooperation and understanding between nations. We will begin to responsibly leave Iraq to its people, and forge a hard-earned peace in Afghanistan. With old friends and former foes, we will work tirelessly to lessen the nuclear threat, and roll back the specter of a warming planet. We will not apologize for our way of life, nor will we waver in its defense, and for those who seek to advance their aims by inducing terror and slaughtering innocents, we say to you now that our spirit is stronger and cannot be broken; you cannot outlast us, and we will defeat you.
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For we know that our patchwork heritage is a strength, not a weakness. We are a nation of Christians and Muslims, Jews and Hindus - and non-believers. We are shaped by every language and culture, drawn from every end of this Earth; and because we have tasted the bitter swill of civil war and segregation, and emerged from that dark chapter stronger and more united, we cannot help but believe that the old hatreds shall someday pass; that the lines of tribe shall soon dissolve; that as the world grows smaller, our common humanity shall reveal itself; and that America must play its role in ushering in a new era of peace.
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To the Muslim world, we seek a new way forward, based on mutual interest and mutual respect. To those leaders around the globe who seek to sow conflict, or blame their society's ills on the West - know that your people will judge you on what you can build, not what you destroy. To those who cling to power through corruption and deceit and the silencing of dissent, know that you are on the wrong side of history; but that we will extend a hand if you are willing to unclench your fist.
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To the people of poor nations, we pledge to work alongside you to make your farms flourish and let clean waters flow; to nourish starved bodies and feed hungry minds. And to those nations like ours that enjoy relative plenty, we say we can no longer afford indifference to suffering outside our borders; nor can we consume the world's resources without regard to effect. For the world has changed, and we must change with it.
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As we consider the road that unfolds before us, we remember with humble gratitude those brave Americans who, at this very hour, patrol far-off deserts and distant mountains. They have something to tell us today, just as the fallen heroes who lie in Arlington whisper through the ages. We honor them not only because they are guardians of our liberty, but because they embody the spirit of service; a willingness to find meaning in something greater than themselves. And yet, at this moment - a moment that will define a generation - it is precisely this spirit that must inhabit us all.
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For as much as government can do and must do, it is ultimately the faith and determination of the American people upon which this nation relies. It is the kindness to take in a stranger when the levees break, the selflessness of workers who would rather cut their hours than see a friend lose their job which sees us through our darkest hours. It is the firefighter's courage to storm a stairway filled with smoke, but also a parent's willingness to nurture a child, that finally decides our fate.
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Our challenges may be new. The instruments with which we meet them may be new. But those values upon which our success depends - hard work and honesty, courage and fair play, tolerance and curiosity, loyalty and patriotism - these things are old. These things are true. They have been the quiet force of progress throughout our history. What is demanded then is a return to these truths. What is required of us now is a new era of responsibility - a recognition, on the part of every American, that we have duties to ourselves, our nation, and the world, duties that we do not grudgingly accept but rather seize gladly, firm in the knowledge that there is nothing so satisfying to the spirit, so defining of our character, than giving our all to a difficult task.
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This is the price and the promise of citizenship.
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This is the source of our confidence - the knowledge that God calls on us to shape an uncertain destiny.
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This is the meaning of our liberty and our creed - why men and women and children of every race and every faith can join in celebration across this magnificent mall, and why a man whose father less than sixty years ago might not have been served at a local restaurant can now stand before you to take a most sacred oath.
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So let us mark this day with remembrance, of who we are and how far we have traveled. In the year of America's birth, in the coldest of months, a small band of patriots huddled by dying campfires on the shores of an icy river. The capital was abandoned. The enemy was advancing. The snow was stained with blood. At a moment when the outcome of our revolution was most in doubt, the father of our nation ordered these words be read to the people:
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"Let it be told to the future world...that in the depth of winter, when nothing but hope and virtue could survive...that the city and the country, alarmed at one common danger, came forth to meet."
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America. In the face of our common dangers, in this winter of our hardship, let us remember these timeless words. With hope and virtue, let us brave once more the icy currents, and endure what storms may come. Let it be said by our children's children that when we were tested we refused to let this journey end, that we did not turn back nor did we falter; and with eyes fixed on the horizon and God's grace upon us, we carried forth that great gift of freedom and delivered it safely to future generations."
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Fonte: Reuters

Ferreira Leite não tem descanso

Depois da sua entrevista da semana passada, depois dos elogios rasgados de Marcelo no Domingo à noite e depois das tréguas concedidas por Jardim, por momento pensámos que Ferreira Leite ganharia agora alguma estabilidade no seu partido. Mas não, nem pensar.

E não, não foi apenas Menezes a afrontar a líder. Depois de Ferreira Leite ter garantido que Gonçalo Amaral não seria candidato, a distrital de Faro aprovou ontem o nome do ex-inspector como cabeça de lista para Olhão nas próximas autárquicas. Passos Coelho, por seu turno, veio ontem discordar publicamente da proposta de descida de IRS da líder do social-democrata, considerando que tal seria uma despesa insuportável.
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Enquanto as sondagens não colocarem o PSD mais próximo de Sócrates (algo pouco provável a curto prazo), o turbilhão interno continuará. A Ferreira Leite gabo-lhe apenas o facto de, contrariando as previsões de há poucos meses atrás, se calhar conseguir chegar a Outubro.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Previsível Jogo de Cintura

Como seria de esperar, as estimativas do Governo em termos desenvolvimento económico do país estão longe das previsões de muitas organizações internacionais, nomeadamente da Comissão Europeia. Estranho seria se assim não acontecesse.

Mas não deixa de ser interessante verificar como vai evoluindo aos poucos o discurso do Executivo e da maioria socialista. Hoje de manhã, quando a Comissão anunciou as suas previsões, fontes socialistas logo trataram de avançar com o discurso espectável, ou seja: “Confiámos nas previsões do Governo”. Nada de novo, portanto.
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Mas hoje à tarde, é o próprio Teixeira dos Santos a admitir que tudo é possível, incluindo até uma nova revisão do Orçamento. Ou seja, o Executivo já deu como adquirido que as suas previsões oficiais valem o que valem e que rapidamente poderão ser desacreditadas. O que importa agora é ir gerindo aos poucos com o jogo de cintura possível. Ora se reafirma confiança/esperança nas previsões governamentais, ora se admitem todos os cenários.

Descansai porque (se calhar, se calhar) não morrestes em vão...

“É importante assumir, sem cinismos, que se esta operação militar tiver salvo a candidatura de Livni ao lugar de primeiro-ministro - e Livni, com o apoio de Barak, foi a maior defensora da estratégia que levou à declaração unilateral de cessar-fogo no sábado -, então esta operação pode também ter salvo o pouco que resta de esperança de progressos no processo de Paz. É que se a direita de Netanyahu vencer nas eleições de Fevereiro, tudo ficará mais complicado.”

O parágrafo acima é de José Manuel Fernandes no seu editorial de hoje. Segundo o director do Público, os 1200 mortos e 5000 feridos se calhar foram um mal necessário. Nem sequer consigo comentar a frieza deste ultra-realismo de sofá. Devo ser um cínico, portanto…

Há apenas três meses era complicado, mas a partir de agora é que vai ser?

«Ontem, ao apresentar a moção no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, o líder do PS afirmou mesmo que em relação à defesa do casamento entre pessoas do mesmo sexo era altura de os socialistas o defenderem "sem tibiezas e sem meias soluções"». (Sócrates, Congresso do PS, 19-01-2009)

Não tenho dúvidas que a promessa de Sócrates (antecipada pelo DN na passada quarta-feira) conseguirá encher de esperança muitos daqueles que viram tal direito ser-lhes negado até ao presente. Afinal de contas, trata-se de um partido do centro, com grandes hipóteses de voltar a ser governo, a comprometer-se com tal medida. E sim, importa não esquecer que tal direito apenas é reconhecido hoje em 6 ou 7 países.
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É um grande passo, sem dúvida. Mas é um grande passo que acontece apenas três meses depois de um comportamento vergonhoso levado a cabo pelo próprio PS. É triste constatar-se como os direitos podem estar sujeitos a questões tão mundanas como a agenda ou o puro calculismo político…
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Diria até que a promessa dos socialistas de discussão destas matérias na sociedade portuguesa durante a presente legislatura acabou por ser cumprida não devido à iniciativa dos próprios. Mas sim, de forma muito atribulada, pela discussão gerada há três meses em torno dos projectos do Bloco e dos Verdes (projectos considerados por alguns como puramente “desestabilizadores”). Curioso, não?

Novo single da Obama Girl

1200 mortos e 5000 feridos depois, Israel iniciou a retirada


E agora, o que se espera do povo palestiniano? Que agradeça a retirada israelita? Que passe a apoiar soluções moderadas? Que se sente calmamente à mesa das negociações? Que conviva em paz com os seus vizinhos israelitas? Que se cale e que seja bem comportado, abandonando essas coisas da “resistência”?

Bye Bye Bush! O Mundo está hoje em Festa!!!


E porque hoje é o último dia de mandato de Bush, o Activismo de Sofá está em festa! 19 de Janeiro, grande dia! Devemos todos celebrar! Convido os leitores deste blog a deixar suadosas mensagens de despedida a este presidente na caixa de comentários abaixo.







Outros materiais aqui

domingo, 18 de janeiro de 2009

Ao centro, mas também estrategicamente à esquerda

Quem hoje viu Sócrates a falar ao Congresso, ficou convencido que lá no fundo, o primeiro-ministro é um homem de esquerda que apenas andou a disfarçar este tempo todo... Ele é direitos dos imigrantes, ele é casamento homossexual, ele é justiça social, ele é o Estado como regulador implacável da economia, entre muitos outros. 

Como dizem todos os manuais, embora tentando não deixar fugir o eleitorado de centro e de centro-direita que conquistou neste últimos anos, Sócrates vai reposicionar-se também à esquerda em termos programáticos neste ano de campanha eleitoral. Veremos como reagirá a memória do eleitorado de centro-esquerda que tão decisivo será para a obtenção de uma maioria absoluta.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

10 Centímetros…

Segundo a Polícia Judiciária, o jovem de 14 anos da Amadora que morreu no passado dia 5 depois de um disparo de um PSP, foi atingido na cabeça a uma distância de 10 centímetros. Repito: 10 centímetros.

O incidente ocorreu depois da Polícia ter perseguido um grupo de jovens que havia furtado um carro. A versão da PSP após o sucedido é que o disparo foi efectuado depois da vitima ter apontado ao agente uma arma a uma distância não inferior a dois metros, tendo este reagido em legitima defesa. Pelos vistos, reagiu a um pouco menos do que 2 metros. Foram 10 cm…

Mas porque é que as forças de segurança insistem em actuar de forma criminosa ao tentar encobrir verdades? Deve compensar, não? Recomendo vivamente a leitura do artigo de Fernando Câncio há exactamente uma semana atrás: adivinhou o que aí vinha.

Transparencia-pt.org: Revolucionário!

A Associação Nacional de Software Livre disponibilizou um website que permite a qualquer cidadão, com a maior das simplicidades, aceder às despesas por ajuste directo efectuadas por qualquer organismo público. Basta lá chegar, introduzir o nome do organismo (administração central ou local), da empresa, da obra, por exemplo, e já está.

Os dados disponíveis referem-se a despesas efectuadas após Agosto de 2007 por ajuste directo. Os organismos públicos são agora obrigados a fazer o registo das suas despesas. Embora nem todos estejam ainda a fazê-lo, consegue-se já retirar muitas informações.

Por exemplo, saber alguns dos gastos dos organismos públicos (uma direcção-geral, um instituto público, uma autarquia local). Mas não só. A pesquisa pode ser efectuada também por empresas. Ou seja, aferir o volume de contratos de determinadas empresas junto da administração pública.

Baseando-se em sites disponibilizados por organismos públicos (http://www.base.gov.pt/ e http://publicacoes.mj.pt/), o transparencia-pt.org faz aquilo que o Estado tem sempre grandes reticências a fazer: disponibilizar de forma SIMPLES o acesso a informação que os cidadãos há muito têm direito. Grande iniciativa da ANSL.

Apenas o “Bushism” deixará saudades

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Rude golpe na democracia venezuelana


A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou por maioria esmagadora uma proposta de emenda constitucional que permitirá que o presidente Hugo Chávez concorra à reeleição sem limite de mandatos.” (Sol, 15/01/2009)

Existem as transições para a democracia e existe também o seu inverso. Chávez dá-nos cada vez mais argumentos para crermos que a Venezuela se enquadra neste segundo caso…

Segundo a lógica de D. José Policarpo... ;)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O quê??? Pior a emenda que o soneto…

Depois das declarações infelizes de D. José Policarpo (ver post abaixo), seria de esperar um esclarecimento que permitisse desanuviar eventuais tensões. Mas não. O porta-voz da Conferência Episcopal, embora sublinhando o ecumenismo do Cardeal, veio afirmar o seguinte:

É um conselho de imprescindível realismo que seguramente qualquer um de nós de cultura ocidental e de religião cristã, ou então de cultura árabe e de religião muçulmana, daria para bem de ambas as partes e das respectivas famílias".
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O quê??? As dificuldades culturais no relacionamento entre cônjuges que professam religiões diferentes podem, como é evidente, ser argumentáveis. Mas a última coisa que necessitámos no presente é que as autoridades das respectivas religiões venham a público sublinhar tais dificuldades. Que triste trapalhada…

Lavar a cara não apaga a memória...

Segundo o DN, o compromisso com a legalização do casamento homossexual deverá constar da moção que Sócrates apresentará ao Congresso do PS. Boas notícias, sem dúvida. Mas que não apagam o posicionamento que o partido teve sobre esta matéria na presente legislatura.

Um posicionamento contraditório de quem se dizia a favor de tal legalização, mas que acrescentou que o país não estava preparado. Um posicionamento que criticou a líder do PSD, apelidando-a de ultra-montista, ao mesmo tempo que chumbou com uma cerrada disciplina de voto os projectos que previam tal legalização.

O PS bem pode argumentar que o seu programa de Governo apenas previa a discussão desta temática e não a sua aprovação. Mas que contributo teve o PS para que a discussão acontecesse? Apenas o seu chumbo assim o permitiu…

Em última análise, deparamo-nos agora com um cenário em que um partido com maioria absoluta, depois de ter chumbado uma questão, compromete-se em aprovar a mesma num futuro em que a sua maioria absoluta está muito longe de estar garantida. Um futuro onde as coligações à direita apresentam-se como cenários muitíssimo prováveis. Curioso, não?

Declarações muito infelizes

Depois de considerar difíceis as relações com a comunidade muçulmana em Portugal, D. José Policarpo afirmou ontem o seguinte: “Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam.

Só podemos entender estas declarações como tremendamente infelizes por parte de um homem reconhecido por muitos como uma referência em termos intelectuais. Não foi isso que D. José Policarpo ontem demonstrou, aguardando-se agora uma reacção do líder da comunidade muçulmana em Portugal.
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As declarações infelizes, mesmo que algo descontextualizadas, corrigem-se ou esclarecem-se imediatamente. É o mínimo que pode ser esperado de alguém como o actual Cardeal Patriarca de Lisboa.

Pedir explicações para quê?


Os Estados Unidos reagiram às declarações de Olmert sobre a abstenção de Condoleezza Rice: “Do Departamento de Estado, Sean McCormack, que acompanhou Rice na votação de quinta-feira, garantiu que o relato feito por Olmert “ é cem por cento, totalmente e completamente falso”. Ainda assim, acrescentou, a diplomacia americana não pretende, pelo menos para já, pedir explicações ao Governo israelita.

Formidável, não é? Um primeiro-ministro israelita gaba-se “à fartazana” sobre o seu peso na política externa americana. E o que faz a actual administração americana? Desvaloriza tal facto como se nada fosse. Um fair diver, portanto. Confesso que me faltam as palavras para qualificar este episódio...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Uma história simples


Como Ehud Olmert, primeiro-ministro israelita, convenceu Bush para que os Estados Unidos se abstivessem na votação da resolução de cessar-fogo formulada pela própria Condolezza Rice:

«Disse-lhe: ‘não pode votar a favor desta resolução’. E ele respondeu-me: ‘Escute, eu não sei nada sobre isso, não o vi, não estou familiarizado com a forma como está formulado’.” Olmert contou que disse então a Bush: “‘Eu estou familiarizado com ele. Não pode votar a favor’. “Ele deu a ordem à Secretária de Estado e ela não votou a favor – a resolução que ela própria concebeu, formulou, organizou e manobrou para ser aprovada. Ela ficou bastante envergonhada e absteve-se na resolução que ela própria criou.”» (Público, 13/01/2009)

Ele há com cada devaneio…


Depois da entrevista ontem concedida a Mário Crespo, Alberto João Jardim consegue hoje, como não podia deixar de ser, algumas manchetes na imprensa. Uma delas, absolutamente fantástica, é esta: «Alberto João Jardim critica "grupos" do partido que impediram a sua candidatura à liderança». Uma candidatura que, que segundo o próprio, visava unir o partido.

Jardim? Candidatura à liderança? Unir o partido? Impedido por um “bando de malvados” de Lisboa? No fundo, uma injustiça cometida contra o verdadeiro salvador da nação… Brutal, não é?

O Melhor do Mundo

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Gostei particularmente da parte em que Cristiano Ronaldo disse que esparava voltar àquele palco. E tem razão, tem todas as condições para isso. Melhor do mundo aos 23 anos. Dá que pensar...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Dois bons textos sobre Gaza


Um é de Clara Ferreira Alves, publicado hoje na edição online do Expresso. Muito bom. O outro é de Miguel Portas que, enquanto eurodeputado, integrou uma comitiva que visitou Gaza este fim-de-semana durante uma hora e meia. Recomendo também.

Activismo de Sofá no Twitter

Seguindo o exemplo de alguns vizinhos na blogosfera (p.ex. este, este e este), o Activismo de Sofá encontra-se agora disponível também no Twitter: www.twitter.com/activismodesofa. Pelo menos para já, os textos serão os mesmos. O novo espaço será sobretudo uma oportunidade deste blog poder chegar também à cada vez mais numerosa comunidade Twitter.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Cavaco anda fragilizado...


Depois de Carlos César ter tido o atrevimento de voltar a considerar despropositada a actuação de Cavaco sobre o Estatuto dos Açores, dois grandes “amigos” do Presidente também consideraram a algo desastrada a forma como este agiu.

No jornal das 19h da SIC Notícias, o sempre amigo Luis Delgado considerou incompreensivel o facto de Cavaco não ter enviado desde logo todas as normas que tinha dúvidas para o Tribunal Constitucional. Pelas 21h, também Marcelo foi considerou que Cavaco teve um “lapso” neste domínio. O sr. Silva não anda nos seus dias...

Sobre a concentração de eleições

O Expresso fez manchete com este tema a propósito de um possível desentendimento entre Sócrates e Cavaco. Estranhamente ou não, assumiu-se que Cavaco possui a mesma posição que o PSD: autárquicas e legislativas no mesmo dia poupariam dinheiro e, sobretudo, beneficiariam em muito os sociais-democratas.

A hegemonia social-democrata em termos de câmaras facilmente contagiaria as legislativas. Um cenário que Sócrates, como é evidente, não quer ver acontecer. Dai também a defesa que há muito faz da separação destes dois actos eleitorais. Quanto a legislativas e europeias no mesmo dia, com eventual antecipação das primeiras, aí o PS se calhar já não se importava...

O argumento não-polítiqueiro para a concentração de dois actos eleitorais – poupança nos custos – possui naturalmente validade. Cada eleição custa de facto uns valentes euros aos cofres do Estado. A concentração até podia ser um gesto de poupança em ano de crise.

No entanto, dados os naturais efeitos de contágio que a sobreposição ou excessiva proximidade de actos eleitorais poderá implicar, a democracia ganhará se se optar pela separação. Recorrendo a um lugar comum conhecido de todos, a democracia tem custos. Veremos se os partidos manterão esta posição até ao fim...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Novidades, novidades?

Tudo na mesma, portanto… A comunidade internacional do costume, demasiado comprometida, demonstra mais uma vez não ter capacidade para actuar no âmbito do conflito israelo-palestiniano. Mais uma vez, a ONU não é levada a sério.
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Talvez apenas uma forte mudança no tabuleiro de xadrez conseguiria mudar algo. Algumas esperanças são depositadas em Obama. A carta pública de Uri Avnery (ex-deputado do Knesset e ex-soldado que ajudou a fundar Israel) é um exemplo deste sentimento. Esperemos que algo mude a partir do dia 20. Mas com expectativas em abaixo. Em campanha, Obama não mostrou pretender que o papel dos Estados Unidos no tabuleiro do israelo-palestiniano mude significativamente. A ver vamos…

Cantinho de Culto

Há menos de uma semana, o Público criou um cantinho de culto nas suas edições impressas. Não só o Bartoon voltou ao caderno principal (a giant leap for mankind!), como agora se apresenta lado a lado com uma curta crónica de Miguel Esteves Cardoso.

O Bartoon representa para mim o que o Calvin representa para muitos: é um cartoon que acompanho religiosamente desde os imemoriais tempos da faculdade. Há muito foi remetido para o P2. Fico contente com o seu regresso ao caderno principal.

Quanto a Miguel Esteves Cardoso, pode-se gostar ou simplesmente detestar-se. Estas suas crónicas têm versado aquelas saborosas banalidades que sabem sempre bem pela manhã. Tenho gostado, deixando aqui apenas uma curta citação do texto de hoje: “É como a cor da capa do toureiro: é irrelevante. O que irrita o touro é haver ali um homenzinho de lantejoulas aos gritos e saltinhos.” Enfim, um cantinho de culto a não perder diariamente. Só é pena que, na edição online, esteja normalmente reservado a assinantes.

Números da Guerra (duas semanas depois)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

E lá se foi o argumento de que só o Hamas usa escudos humanos…

«A Amnistia Internacional acusou ambas as partes de usarem civis como escudos humanos. “Soldados israelitas entraram e tomaram posições em diversas casas palestinianas, forçando as famílias a ficarem numa sala do rés-do-chão, enquanto usam o resto da sala como base militar ou para posições estratégicas para os atiradores furtivos”, indicou a AI em comunicado.» (Público, 08/01/2009)

O bando de loucos que apoia o Hamas

Helena Matos e um conselheiro da embaixada de Israel escrevem hoje no Público justificando a ofensiva israelita a Gaza. Como seria de esperar, não conseguem resistir a qualificar os que estão contra o conflito como apoiantes, conscientes ou inconscientes, do Hamas.

Julgo que nem vale a pena dissertar sobre o quão errado é este raciocínio. Fará algum sentido argumentar-se que toda a opinião pública mundial que está contra este conflito apoia um bando de criminosos, fanáticos e sanguinários que bebe da desgraça que assola os palestinianos? Ó meus amigos, haja paciência…
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Se pudesse formular uma dicotomia simplista de opiniões em torno deste conflito e sobre o Hamas, diria que existem dois lados maioritários. Um que defende que a força das armas é o única solução possível para acabar com o Hamas. Um outro que defende que a força das armas é a melhor solução que existe para alimentar um grupo fundamentalista como o Hamas. Escusado será dizer em que lado me coloco.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Melhor escola pública votou a suspensão da avaliação


Eis mais um exemplo de como o descontentamento dos professores não é algo conjuntural. Não é algo simplesmente alimentado pelos holofotes da comunicação social. Não é algo que resulta da manipulação dos malvados sindicatos liderados por um sr. de bigode que vai aparecendo regularmente na televisão. É muito mais do que isso. É estrutural.

Os sindicatos aprenderam em Março que não podem fazer cedências sob pena de deixarem de ser representativos. O conflito entre professores e o Ministério da Educação atingiu tais proporções que os primeiros não descansarão enquanto não obtiverem a satisfação total das suas reivindicações. Corporativismo desenfreado, dirão alguns. Consequência da política do "reformarei contra tudo e contra todos", digo eu.

Legados da Cigarra...


“O Tribunal de Contas chumbou as contas dos dois primeiros anos do mandato de Pedro Santana Lopes na Câmara de Lisboa (2002 e 2003), por irregularidades ligadas à falta de informação sobre a realidade financeira e patrimonial da autarquia.” (Público, 07/01/2009)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Números da Guerra (uma semana e meia depois)

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Sócrates, Ricardo Costa e as Ventoinhas

E aqui está. Após algum corte e costura, eis o episódio em que Ricardo Costa interrompe Sócrates com a seguinte tirada: “Senão ficávamos aqui a ouvir falar de ventoinhas até à meia-noite.
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Como disse anteriormente, julgo que deve ter sido dos momentos mais interessantes da entrevista...

A Entrevista sem Manchetes

Na entrevista de ontem na SIC (video integral aqui), Sócrates mostrou mais uma vez que consegue estar uma hora diante de jornalistas sem ser apanhado, sem nunca se descair e também sem dizer qualquer novidade.

Hoje ainda conseguimos ver manchetes tais como “Sócrates assume que Portugal entrará em recessão” ou “Sócrates pede maioria absoluta”. Escusado será sublinhar a previsibilidade de tais assunções e pedidos. A entrevista foi tão previsível que as próprias reacções da oposição se tornaram bocejantes.
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Sem querer ser irónico, julgo que um dos momentos mais marcantes aconteceu quando Ricardo Costa interrompeu uma resposta que Sócrates direccionou para as energias renováveis com a seguinte tirada (cito de memória): “Senão ficávamos aqui a falar de ventoinhas até à meia-noite.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

E a Grécia aqui tão perto?

“O rapaz de 14 anos baleado na noite de domingo por um agente à civil da Polícia de Segurança Pública (PSP), na sequência de uma perseguição na Amadora, não resistiu aos ferimentos e acabou por falecer esta manhã no Hospital São Francisco Xavier. (…)

"O jovem baleado na cabeça seguiria dentro de um carro, supostamente furtado, na companhia de outros dois suspeitos. Os agentes da Esquadra de Investigação Criminal da PSP da Amadora identificaram a matrícula do carro e avançaram para a perseguição.

Os três suspeitos acabaram por sair do carro e, segundo fontes policiais ao nosso jornal, pelo menos um deles estaria armado com uma pistola. Em forma de reacção a um eventual disparo, um dos agentes da PSP puxou da sua arma de serviço e atingiu o jovem na cabeça.” (Correio da Manhã, 05/01/2009)
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Portugal não possui o movimento e a tradição anarquista que a Grécia possui. Mas não deverão ser postas totalmente de parte algumas reacções "menos convencionais” a este incidente… Aguardam-se confirmações e detalhes sobre o que de facto aconteceu. A ver vamos.

Os Senhores da Guerra (de Sofá)

Quanto mais intenso se torna um conflito ou uma guerra, mais alguns arautos do realismo belicista gostam de se fazer ouvir. O editorial de José Manuel Fernandes hoje no Público é um exemplo disso mesmo.
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O director do Público disserta sobre a tabu que a palavra vitória constitui nos conflitos/guerras contemporâneas. Segundo José Manuel Fernandes, a História demonstra a necessidade de vitórias militares indiscutíveis ou absolutas para que a paz seja duradoura. Aplica então, como seria de esperar, essa grande máxima realista ao conflito israelo-palestiniano, nomeadamente à acção israelita sobre Gaza.
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Julgo que nem vale a pena dissertar sobre a que custo eram obtidas as vitórias de que reza a História que José Manuel Fernandes evoca. Nem o quanto a vida humana tinha, infelizmente, um valor inferior quando comparado com o actual. Muito menos dissertar sobre o quanto a geopolítica do Médio Oriente e todas as condições socio-economico-culturais dos palestinianos determinam ao fracasso os objectivos de “paz duradoura” que Israel se propõe atingir através de acções militares.
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Julgo que basta relembrar que José Manuel Fernandes foi um dos mais entusiastas defensores em Portugal da invasão do Afeganistão e, sobretudo, do Iraque. Os resultados destas suas anteriores cruzadas, que apoiou avidamente a partir do sofá, estão à vista…

“Obrigado Israel!” e “Obrigado Hamas!”

Com Gaza num caos total, com o número de vítimas civis a aumentar, com a população palestiniana desesperada, com manifestações em todo o Médio Oriente exigindo justiça contra Israel, o Hamas tem razões para estar contente e agradecer a Israel.
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Os seus rockets surtiram o efeito desejado. O Hamas tem agora, e mais uma vez, razões acrescidas para existir, bastando-lhe beber calmamente do desespero e ódio que florescem entre toda a população da Palestiniana.

Dos dois lados do conflito, os senhores da guerra, os movimentos e partidos cuja conflito assegura popularidade, utilidade e até razão de ser rejubilam: “Temos estragos para vários anos!” será certamente o seu slogan na intimidade.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Boa Prática

“A empresa da câmara municipal de Lisboa encarregada de gerir os bairros municipais da cidade pediu uma indemnização de quase seis milhões de euros a três dos seus antigos gestores...” (...) “A Gebalis baseia este pedido no facto de estes gestores terem feito gastos supérfluos e uma gestão ruinosa durante o tempo em que estiveram na empresa...” (TSF, 02/01/2009)
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Gestores públicos responsabilisados por má gestão. Nada mau, pois não? Um importante exemplo, sobretudo tendo em conta o caractér quase inacreditável do caso Gebalis. Sem querer ser populista, só é pena que seja necessária uma verdadeira “escandaleira” para que a má gestão pública possa de facto ter consequências entre os seus responsáveis.

O Ensurdecedor Silêncio de Obama


Num momento em que a a actual administração americana nem tenta disfarçar de que lado está no conflito em Gaza, o silêncio de Obama está a revelar-se ensurdecedor...